28/04/2021
Por: Zara Barbosa
Autoestima
Autoestima e emoções, qual a relação?
Você sabia que as nossas emoções influenciam na construção da nossa autoestima? Desde que eu comecei a me dedicar aos estudos sobre autoestima e saúde emocional da mulher que venho cada vez mais pensando e refletindo sobre como as emoções impactam na nossa vida e na construção e desenvolvimento da nossa autoestima.
Mas para falar dessa relação, primeiramente é necessário termos clareza de que a autoestima não é algo fixo e acabado, é uma jornada, um processo que se constrói ao longo da nossa vida e que está sempre mudando, portanto manter uma autoestima equilibrada é uma prática diária. Se você tem uma autoestima baixa, não será do dia para a noite que ela vai ficar bem. Construir e manter uma autoestima saudável é um processo que envolve autoconhecimento, voltar-se para dentro de si mesma e, acima de tudo, envolve mudança de atitudes.
Partindo do pressuposto que autoestima diz da nossa autovalorização e do quanto acreditamos nas nossas próprias capacidades, e aí tem a ver com o que chamo de tripé da autoestima que é composto pelo nosso autoconceito, o nosso autorrespeito e a nossa auto aceitação, ou seja, tudo isso é um processo interno, concorda? Sendo assim, a construção de uma autoestima saudável é um processo que tem que vir de dentro para fora, mas às vezes está tudo tão difícil, temos um autoconceito tão baixo, acreditamos que somos tão incapazes, tão menores que é difícil começar apenas de dentro para fora e aí é possível pensar que trabalhar a imagem, a aparência, é um estímulo externo que pode movimentar o interno já que ao nos sentirmos bem e bonitas a sensação de incapacidade diminui momentaneamente e assim conseguimos agir em relação a isso.
Para entender melhor vamos pensar em um exemplo bem básico aqui: se autoestima é um conceito de valor que estabelecemos sobre nós mesmas e somos alguém que conhecemos a vida inteira, então se temos uma vida inteira nos achando inferior, incapaz de determinadas coisas, não conseguindo ver qualidades em nós mesmas, como que essa autoestima pode estar boa? Pense comigo, quando conhecemos alguém pela primeira vez automaticamente, pela primeira impressão que essa pessoa passa fazemos um pré-julgamento a respeito dela, certo? O nosso conceito inicial a respeito dela vai ser carregado dos nossos valores e pré julgamentos. Porém, à medida que vamos conhecendo melhor essa pessoa, vendo as atitudes dela, a forma como ela age, como ela fala, como ela pensa, o nosso conceito sobre ela vai mudando ou se confirmando e se formando não mais apenas com base em um pré julgamento, mas no que estamos vendo e sentindo, a partir das nossas crenças, valores e da relação estabelecida com a pessoa. Então, se somos alguém que conhecemos a vida inteira e não alguém que acabamos de conhecer, então as nossas atitudes ao longo da nossa vida tem impacto no que consideramos importante, ou seja, na nossa autoestima, a partir das nossas atitudes.
Portanto, para mudar a questão da autoestima é preciso começar a mudar nossas atitudes agindo da forma que consideramos que uma pessoa deve agir, de forma que nos deixe orgulhosa de nós mesmas. É preciso fazer um exercício de olhar para dentro de nós e pensar: O que me faz considerar alguém capaz e acreditar nessa pessoa? Quais atitudes que ela tem que ter que me levam a pensar isso dela? O que me faz pensar “caramba, fulana é muito boa nisso, com certeza ela vai conseguir fazer tal coisa ou alcançar algo”. Pensando nisso, que atitudes você teria que ter para ser alguém que você valoriza e acredita? Pense “eu estou tendo atitudes que considero importantes e que me deixam orgulhosa de mim mesma para que a minha autovalorização seja coerente, seja equilibrada, saudável? Esse é um ponto muito importante quando falamos de autoestima. Saber o que importa e o que faz sentido para nós mesmas é o primeiro ponto para pensar em mudar ou manter uma autoestima saudável.
Agora que você tem clareza de que a sua autoestima é um processo que está sempre em construção e evolução, entramos na questão das emoções e o que elas têm a ver com essa construção e com a manutenção de uma autoestima saudável. Para entender como acontece essa ligação, é preciso entender o que são emoções e como elas agem no nosso corpo. Tem um filme que eu gosto bastante e que ficou bem conhecido na época do seu lançamento que é Divertidamente, não sei se todo mundo conhece porque é uma animação e nem todos gostam desse tipo de filme, mas Divertidamente mostra como as emoções da personagem principal comandam a vida dela e uma coisa que fica muito clara no filme é como as emoções são impulsivas e como elas afetam o nosso comportamento, as nossas ações. Então se acontece alguma coisa que provoca raiva na menina e a raiva vai lá e toma conta do “centro de comando” (no filme é como se existisse um lugar onde as emoções ficam todas juntas e existe um painel de controle para quando acontecer algo na vida da menina elas irem lá e controlarem suas ações e comportamentos), ela age no momento de raiva e é esse comportamento, essa atitude que foi determinada pela raiva, do mesmo jeito isso acontece com a alegria, com a tristeza, com o medo…
Mas então o que são emoções? São reações impulsivas e instantâneas, são o instinto de sobrevivência do nosso corpo. Emoção é reação biológica, o corpo se prepara para enfrentar determinadas coisas, o medo é uma emoção, a raiva, a tristeza, a alegria são emoções que a gente nomeia, mas a emoção é basicamente uma reação biológica do nosso corpo a um determinado estímulo. Ou seja, são inconscientes. Quando a gente nomeia essas emoções, a gente está entrando no campo dos sentimentos. A partir do momento que tomamos consciência da emoção e a nomeamos, estamos falando dos sentimentos, é importante fazer essa diferenciação.
As nossas emoções vão moldando as nossas ações, os nossos comportamentos. Se eu sinto raiva, eu me comporto de determinada forma, se eu sinto medo, alegria, tristeza, eu me comporto de formas diferentes. São essas emoções, e consequentemente esses sentimentos, quando eu tomo consciência deles, quanto eu nomeio o que eu estou sentindo que vão determinar as minhas ações e os meus comportamentos. Mas e aí, o que isso tem a ver com autoestima? Quando eu conheço as minhas emoções, os meus sentimentos, eu consigo agir de acordo com eles, eu consigo lidar e gerenciar eles. Quando se fala de inteligência emocional, de lidar e gerir as emoções, ninguém gerencia o que não conhece, concorda? Então se não falamos sobre as nossas emoções, sobre os nossos sentimentos, não temos como gerir e/ou lidar com eles. Fica tudo emaranhado.
Para lidar com algo é preciso conhecer esse algo, se não sabemos o que nos provoca raiva, o que nos provoca medo, o que nos faz feliz, quando sentimos essas coisas como reagimos? O que nos faz agir de uma forma ou de outra, como vamos lidar quando essas coisas aparecerem? Quando começamos a parar para analisar que as nossas ações e atitudes vem de como nos sentimos em relação às coisas, começamos a conseguir gerenciar isso, mas como? Por exemplo: você sabe que não gosta quando age de tal forma, então pense: porque eu ajo assim? Olhe para os seus sentimentos e pensamentos, faça o exercício de pensar que quando acontece determinada coisa você se sente de um jeito e por isso reage de determinada forma. Então se você não gosta dessa forma de reação, o que pode fazer? Ou então, se não quer passar por isso novamente, como pode lidar de forma diferente da próxima vez? Ao fazermos esse exercício de olharmos para nós mesmas, para dentro, vamos entendendo o funcionamento das nossas emoções, dos nossos sentimentos e conseguimos aos poucos moldar nossas ações, nosso comportamento e atitudes a partir do que consideramos que é melhor e que é o que queremos para nós.
Ficou claro isso? Acho que esse é um ponto muito importante porque a partir disso, se conseguimos entender que agir de tal forma acontece quando sentimos determinada coisa e quando nos sentimos de tal jeito acontecem coisas específicas no nosso corpo em reação… Entender esse ciclo, os nossos sentimentos, é primordial, é fundamental para pensarmos na nossa autoestima, na construção e manutenção de uma autoestima saudável. Portanto, o primeiro passo a ser dado é sempre questionar: o que aconteceu? Como eu me senti? Como eu reagi? Gostaria de ter agido diferente? Se sim, o que posso fazer para reagir diferente na próxima vez? Tudo é uma questão de termos clareza e conseguirmos nos conhecer a ponto de saber o que nos provoca determinadas emoções, que sentimentos surgem a partir dessas emoções e como que as nossas ações, o nosso comportamento, estão diretamente ligados a tudo isso. Assim, em um momento de raiva, por exemplo, seremos capazes de não agir impulsivamente, mas de racionalizar a situação. Parar, pensar no que estamos sentindo naquele momento, reconhecer esse sentimento e aí sim decidirmos como vamos agir nessa situação.
Portanto se a nossa autoestima, como eu falei no início, está ligada ao nosso autoconceito, ao que pensamos de nós mesmas e isso é formado a partir das nossas atitudes e forma de agir, se conseguimos lidar com os nossos sentimentos e emoções e moldar nossas ações a partir disso, conseguimos construir uma autoestima saudável nos tornando uma pessoa que valorizamos e acreditamos acima de tudo.
Zara Barbosa,
Psicóloga da Mulher - CRP-17/2465
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