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Apresenta%c3%a7%c3%a3o 11/05/2021

Por: Zara Barbosa

Sobre mim

Prazer, Zara.

     

Olá! Eu me chamo Zara Barbosa, sou Psicóloga, fã incondicional de Harry Potter, jogadora de RPG (Role playing game), leitora ávida e aspirante a escritora. Sou apaixonada pela Psicologia e atuo na área clínica desde que me formei no início de 2013.

Mas o que me levou a estar nesse lugar hoje? Senta que lá vem a história…

Fui uma criança e uma adolescente muito tímida e sempre tive uma autoestima muito baixa, não conseguia gostar de mim ou acreditar em mim, tinha problemas com a minha aparência, vivia de me comparar com os outros e sempre desconfiava da minha capacidade para qualquer coisa. Ler me fazia viajar por mundos desconhecidos e ao mesmo tempo incríveis, eu me perdia dentro das histórias e me via nas personagens que apareciam, era uma fuga fenomenal da realidade onde eu não me valorizava.

Aos 14 anos mudei de colégio, conheci novas pessoas e Harry Potter entrou na minha vida me trazendo não apenas uma viagem incrível pelo mundo bruxo, mas me trazendo novos amigos e relacionamentos onde eu pude me amparar durante os anos do Ensino Médio.

Junto com Harry Potter veio a internet trazendo os amigos virtuais nos sites e fóruns de discussão sobre, obviamente, Harry Potter e a escrita surgiu como algo libertador. Na época, enquanto esperávamos ansiosamente o lançamento do próximo livro da série, tínhamos milhares de pessoas escrevendo fanfics com histórias incríveis e pontos de vistas totalmente diferentes sobre os personagens e sobre o próprio desenrolar dos livros, a criatividade e a imaginação rolavam soltas e eu me aventurei em escrever minhas próprias histórias, fanfics juntando personagens, criando aventuras e utilizando o universo da magia da forma que me convinha e, o melhor, eu podia publicar e outras pessoas podiam ler sem saber quem eu era. A insegurança a respeito da minha capacidade ficava amparada e escondida atrás da tela do computador e os comentários e feedbacks a respeito da minha escrita alimentavam um pouquinho a cada dia a minha autoestima e me ajudavam a pensar que talvez eu não fosse tão incapaz assim.

Uma coisa que eu sempre falo para as minhas pacientes e nos meus posts pelas redes é que Autoestima é uma construção, uma caminhada e que não muda da noite para o dia. Eu passei uma vida inteira acreditando que era inferior, odiando meu corpo e me comparando com tudo e com todos. Harry Potter foi o início do meu processo de autoconhecimento, autoaceitação e autorrespeito, mas foi o RPG que me ajudou a perceber o que eu poderia ser.

Para quem não conhece ou nunca ouviu falar, RPG é a sigla para Role Playing Game e significa basicamente Jogo de interpretação de personagem. É um jogo onde cada jogador cria um personagem com características, habilidades, qualidades e defeitos diversos e interpreta esse personagem dentro de uma história que vai sendo criada e narrada por um jogador que faz esse papel de narrador ou mestre, como ele é comumente chamado. à medida que a história vai sendo narrada pelo mestre, os personagens dos jogadores vão sendo inseridos na aventura e cada jogador vai interpretando seu personagem, os rumos da história dependem das ações de cada personagem e nós, jogadores, temos que lidar com as consequências de nossas ações à medida que as coisas acontecem sejam para o bem ou para o mal.

Poder criar uma personagem com as qualidades e características que eu quisesse foi libertador para mim, ali, naquele jogo, eu podia ser bonita (dentro da minha visão do que era ser uma mulher bonita), eu podia ser carismática, destemida, podia ser alguém segura de si e que falava o que pensa, podia ser uma mulher segura e dona de si, podia ser tudo o que eu sempre quis, ali eu era alguém que eu admirava. No jogo, você ganha pontos de várias formas, e a interpretação do personagem condizente com as características é muito relevante e nos confere uma boa pontuação, com esses pontos que chamamos de pontos de experiência é possível obter novas habilidades, melhorar as que já temos, comprar itens e equipamentos, enfim, interpretar faz parte do jogo e como uma garota tímida e acanhada poderia interpretar uma vampira destemida e com grande poder de persuasão? Ou uma elfa extremamente habilidosa com as palavras e com a espada? Para mim era simples, não era eu. Ali eu tinha a liberdade de ser quem eu queria ser sem me expor, afinal quem fazia tudo aquilo e agia daquela forma era a personagem, não eu.

Foi assim, me colocando um pouquinho em cada personagem e absorvendo um pouquinho delas para mim que eu fui mudando minhas atitudes, confiando mais em mim mesma e percebendo que eu podia ser um pouco como aquelas personagens que pareciam muito diferentes e distantes, mas que no fundo eram tão parte de mim que nem eu me dava conta.

E assim fui passando pelo Ensino Médio, lendo e escrevendo sobre Harry Potter, jogando RPG e interagindo com pessoas incríveis e tão diferentes de mim. Decidi fazer Psicologia porque acreditava que me ajudaria a ser uma ótima escritora, fiz três vestibulares e a cada ano minha decisão de entrar no curso de Psicologia se fortalecia, passei na terceira tentativa, mudei da minha cidade no interior para morar em Natal/RN para estudar e no fim do primeiro ano de curso me apaixonei perdidamente pela Fenomenologia e pela área Clínica. Conheci pessoas maravilhosas e que me ajudaram muito a enfrentar a timidez e a vergonha de existir, fiz amigos que também gostavam de RPG e continuei jogando enquanto fazia faculdade, me perdendo e me encontrando cada vez mais com as minhas personagens que de múltiplas não tinham nada, existia um padrão ali, a mulher empoderada, sexy, inteligente e que passava longe da timidez, Lilith (o nome da minha personagem vampira) era a imagem da mulher que eu desejava ser e interpretando ela eu me sentia segura e capaz.

Quando o quinto ano chegou e comecei a estagiar atendendo na Clínica Escola da Universidade a autoestima baixa me prejudicou muito, a insegurança e a falta de crença em mim mesma não me permitiam ser uma boa terapeuta. A terapia foi fundamental nesse processo e me ajudou a entender que eu precisava olhar para dentro, compreender meus sentimentos e mudar algumas atitudes que me faziam não acreditar em mim mesma.

Concluí o estágio, comecei a atender assim que me formei e continuo na Clínica até hoje. Mas além da clínica eu queria fazer pesquisa também e entrar no Mestrado foi a realização de um sonho, eu via tanta potência no RPG que eu queria trazê-lo para dentro da Psicologia. Se ele me ajudou tanto, porque não poderia ajudar outras pessoas? Minha orientadora nunca tinha ouvido falar nesse jogo, mas se jogou nele comigo e aceitou me orientar enquanto eu fazia entrevistas com jogadores e tecia possibilidades do RPG em conjunto com a Psicologia podendo ser um meio de expressão das pessoas, como a criação e interpretação de um personagem pode ser uma forma de ajudar as pessoas a enxergarem suas potencialidades, como não criamos um personagem com determinadas características à toa, que aquele personagem tem muito de nós ali e que nós podemos vir a ter muito do personagem também.

Finalizei o meu Mestrado ao mesmo tempo que concluía também a Especialização em Clínica Fenomenológico-Existencial (todos na Universidade Federal do Rio Grande do Norte), segui trabalhando com Psicoterapia e desde então tenho me voltado para entender como o universo dos jogos (sejam os virtuais ou não), da tecnologia e da cultura pop como um todo pode ser um fator de grande influência para a saúde mental das pessoas.

Por ter sido uma garota geek/nerd durante toda a minha adolescência e juventude e ter tido nos jogos e na literatura um porto seguro para me tornar a mulher e profissional que sou hoje, acredito que posso ajudar esse mesmo público a ter uma melhor relação com a sua saúde mental e emocional.